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domingo, 25 de dezembro de 2011

Garimpando Luz





As relações humanas são esculpidas como as pedras. 
Sob o sol, a chuva, o vento, a dificuldade. 
Lapidados nos encontros e suas consequências.


Meu pai era garimpeiro. 
Quando criança não me orgulhava desse fato. 
Hoje me replico em meu pai. 
Descobri que também sou garimpeira.


Herdei o apetite de descobrir preciosidades em meio às rochas.
Resgatar as virtudes fundidas no asco de nossos defeitos.
Fazer a alquimia.


Cada aparelho desperto, cada raciocínio liberto... 
é um diamante garimpado.
Eu e meus irmãos acumulando nosso tesouro.
Hoje estou rica.


Saber o caminho, 
vislumbrar a luz que purifica, 
transmutar a dor em paz.


Cumpro a sina de meu pai.
Garimpo a preciosidade de Deus no imundo da vida.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Carta à minha alma

 
 
Minha desconhecida
Nós vivemos
num mundo tão pequeno para nós,
tão juntos - e ainda não nos conhecemos.
 
Você não sabe ainda a cor dos meus olhos,
nem a inflexão da minha voz, nem o humano calor
das minhas pobres mãos de barro,
nem o perfume azul do meu cigarro...
 
Eu ainda não sei a altura do seu céu,
nem o voo levíssimo do véu
dos seus sonhos e dos seus dedos,
nem o nível dos seus folguedos,
nem o fundo dos seus segredos...
 
No entanto, um mesmo teto abençoa e agasalha nossas vidas alheias
(como é um mesmo o que abriga o crente e a santa):
moramos paredes-meias,
como o homem triste que trabalha
e a menina boêmia que canta...
 
Nós somos dois anônimos vizinhos.
E, para sermos "dois" no mundo, para
sermos assim sozinhos,
entre a nossa recíproca ignorância,
entre nós dois, há apenas a distância
da parede comum que nos separa.
 
Ela chama-se "Vida".
Só ela nos divide - a opaca intrometida.
Contra essa intrusa, para disfarçá-la
eu, daqui do meu lado, ao longo desta sala,
estendi numa longa, longa estante
toda uma biblioteca anestesiante.
 
Do seu lado, ela deve estar vestida
com um xale de cachemira sobre o qual ressona o oco de uma guitarra adormecida, e fenece um retrato íntimo e antigo, a lápis, com uma florzinha pálida dos Alpes
esmigalhada no cristal...
 
Assim tão juntos nós vivemos
e infelizmente nem sequer nos conhecemos.
 
Hoje, não sei por que, tive vontade de escrever para você,
de perguntar baixinho ao seu ouvido:
- Diga! para que nós nos encontremos
será preciso, então, que algum ciclone se abata sobre nós e desmorone a parede comum que nos separa: a Vida?
 
Ou - o que para mim será mais morte ainda - minha linha imortal, minha alma linda, será que alguma vez nós já nos encontramos e, sem nos ver, sem nos reconhecer, passamos?...
 
Guilherme de Almeida

Quem sou eu

Minha foto
Curiosa, desde pequena sempre quis saber quem sou de verdade. O fim do arco-íris no fundo de meus olhos... E encontrei! Estou em pleno processo de emancipação, aprendendo a voar ainda que em um corpo perene. Estudante da Cultura Racional e dos livros Universo em Desencanto desde 1995. DESENVOLVENDO O RACIOCÍNIO. Em ponto de ebulição e sublimação!! Sorrir gratuitamente é puro prazer... Salve :D
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