Mostrando postagens com marcador Deus. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Deus. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

O cético e o lúcido

Bom dia queridos leitores =)

Recebi hoje essa mensagem das minhas amigas Nágea e Iranides e achei tão linda e esclarecedora que resolvi repassar no blog e encaminhar aos meus contatos.

Um dia Iluminado!

-------------------------------------------------------------------




  A comparação entre a vida após a "morte" e a vida após o nascimento é simplesmente maravilhosa!
 
O CÉTICO E O LÚCIDO ...
 
No ventre de uma mulher grávida estavam dois bebês. O primeiro pergunta ao outro:
 
- Você acredita na vida após o nascimento?
 
- Certamente. Algo tem de haver após o nascimento. Talvez estejamos aqui principalmente porque nós precisamos nos preparar para o que seremos mais tarde.
 
- Bobagem, não há vida após o nascimento. Como verdadeiramente seria essa vida?
 
- Eu não sei exatamente, mas certamente haverá mais luz do que aqui. Talvez caminhemos com nossos próprios pés e comeremos com a boca.
 
- Isso é um absurdo! Caminhar é impossível. E comer com a boca? É totalmente ridículo! O cordão umbilical nos alimenta. Eu digo somente uma coisa: A vida após o nascimento
está excluída – o cordão umbilical é muito curto.
 
- Na verdade, certamente há algo. Talvez seja apenas um pouco diferente do que estamos habituados a ter aqui.
 
- Mas ninguém nunca voltou de lá, depois do nascimento. O parto apenas encerra a vida. E afinal de contas, a vida é nada mais do que a angústia prolongada na escuridão.
 
- Bem, eu não sei exatamente como será depois do nascimento, mas com certeza veremos a mamãe e ela cuidará de nós.
 
- Mamãe? Você acredita na mamãe? E onde ela supostamente está?
 
- Onde? Em tudo à nossa volta! Nela e através dela nós vivemos. Sem ela tudo isso não existiria.
 
- Eu não acredito! Eu nunca vi nenhuma mamãe, por isso é claro que não existe nenhuma.
 
- Bem, mas às vezes quando estamos em silêncio, você pode ouvi-la cantando, ou sente, como ela afaga nosso mundo. Saiba, eu penso que só então a vida real nos espera e agora apenas estamos nos preparando para ela…

domingo, 4 de setembro de 2011

Sabedoria do Tempo...




Eclesiastes 3


Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu.

Há tempo de nascer, e tempo de morrer; tempo de plantar, e tempo de arrancar o que se plantou;

Tempo de matar, e tempo de curar; tempo de derrubar, e tempo de edificar;

Tempo de chorar, e tempo de rir; tempo de prantear, e tempo de dançar;

Tempo de espalhar pedras, e tempo de ajuntar pedras; tempo de abraçar, e tempo de afastar-se de abraçar;

Tempo de buscar, e tempo de perder; tempo de guardar, e tempo de lançar fora;

Tempo de rasgar, e tempo de coser; tempo de estar calado, e tempo de falar;

Tempo de amar, e tempo de odiar; tempo de guerra, e tempo de paz.

Que proveito tem o trabalhador naquilo em que trabalha?

Tenho visto o trabalho que Deus deu aos filhos dos homens, para com ele os exercitar.

Tudo fez formoso em seu tempo; também pôs o mundo no coração do homem, sem que este possa descobrir a obra que Deus fez desde o princípio até ao fim.

Já tenho entendido que não há coisa melhor para eles do que alegrar-se e fazer bem na sua vida;

E também que todo o homem coma e beba, e goze do bem de todo o seu trabalho; isto é um dom de Deus.
Eu sei que tudo quanto Deus faz durará eternamente; nada se lhe deve acrescentar, e nada se lhe deve tirar; e isto faz Deus para que haja temor diante dele.

O que é, já foi; e o que há de ser, também já foi; e Deus pede conta do que passou.

Vi mais debaixo do sol que no lugar do juízo havia impiedade, e no lugar da justiça havia iniqüidade.

Eu disse no meu coração: Deus julgará o justo e o ímpio; porque há um tempo para todo o propósito e para toda a obra.

Disse eu no meu coração, quanto a condição dos filhos dos homens, que Deus os provaria, para que assim pudessem ver que são em si mesmos como os animais.

Porque o que sucede aos filhos dos homens, isso mesmo também sucede aos animais, e lhes sucede a mesma coisa; como morre um, assim morre o outro; e todos têm o mesmo fôlego, e a vantagem dos homens sobre os animais não é nenhuma, porque todos são vaidade.

Todos vão para um lugar; todos foram feitos do pó, e todos voltarão ao pó.

Quem sabe que o fôlego do homem vai para cima, e que o fôlego dos animais vai para baixo da terra?

Assim que tenho visto que não há coisa melhor do que alegrar-se o homem nas suas obras, porque essa é a sua porção; pois quem o fará voltar para ver o que será depois dele?

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Anagrama - O Alfa e o Ômega

aaaaa
aaaaa
aaaaaaaaD esencanto
aaaaaaaaE u
aaaaaaaaU niverso
aaaaaaaaS ou
aaaaaaaaaaaaaaaaaaaa
aaaaaaa"Conheça a ti mesmo e conhecerás o todo."


Gostou?

Clique aqui para baixar a versão GRATUITA do livro Universo em Desencanto.

E aqui para pedir a versão impressa.

sábado, 26 de dezembro de 2009

"A Luz - com a calma está."



"A Luz- com a calma governa.A Luz - o poder, a força, a razão para vos conduzir sob a junção fraternal, devendo ter a calma para tudo.

Não se deve falar duas, três vezes com o seu próximo uma coisa só, fala-se uma vez e acabou-se, calma- e calma. Não se deve pedir duas, três vezes uma coisa só, basta uma vez, e calma. Não se deva chamar duas, três vezes um irmão qualquer à atenção, basta uma vez e calma. Afinal, nunca deva ser repetida as palavras sobre qualquer sentido ao próximo, trazendo um desvio da calma, fora do leme superior. Imperando com a calma, está livre de todas as dores. Calma para falar, calma para tudo."

"... não é preciso falar muito, a força conduz, a luz esclarece, e o dever inclina a afluente do precioso líquido ao necessitado que quer cumprir para vencer, que quer cumprir para saber, que quer cumprir para enxergar, que quer cumprir para investigar, encontrando depois a calma no fundo dos fundos para valer-se melhor em tudo por tudo, sob a jornada libertadora do Avante de todas as Fontes encantadas, assegredadas, que aí estão presentemente."

"Devam ter a calma para erguer sobre tudo; calma para responder. Antes passar como bobo DO QUE OFENDER; antes passar como impostor DO QUE OFENDER; antes passar como hipócrita DO QUE OFENDER; antes passar como sujo DO QUE OFENDER; antes passar como criminoso DO QUE OFENDER."

"A Justiça é implacável..."
"... e não deva se ligar ao fraco..."

O UNIVERSO EM DESENCANTO - OBRAS PRIMAS DE FRANCISCO DE ASSIS - 4º ESCRITURAÇÃO PÁG. 277


Gostou?

Clique aqui para baixar a versão GRATUITA do livro Universo em Desencanto.

E aqui para pedir a versão impressa.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

SÓ SE VENCE COM A NATUREZA



A natureza é que governa todos. A natureza faz de todos o que quer e o que entende. Todos dependem da natureza. Todos são dominados por ela. Portanto, quem vive junto à lei da natureza, quem vive unido às leis naturais, faz de quem quer seja o que entende. O Deus de todos é a natureza; é o sol, a luz , as estrelas, a terra, a água, os animais e os vegetais, seus feitos e o produto dessas sete partes. Quem rege com esta lei, que é o Deus de todos, vive sempre por cima de todos, fazendo de todos aquilo que é preciso , dando a todos aquilo que merecem. E quando sabe, e tem certeza que vive assim nestas condições, pode dizer que no meio dessa bicharada ele é o chefe e faz o que entende , dando a cada um aquilo que merece. Portanto, são as leis naturais que governam todos.



E, por isso, ninguém pode com a natureza nem com quem vive unido a ela. A natureza é o Deus, e quem vive com ela passa por Deus também. É a natureza que governa tudo e nela é e que está o Suposto criador. E, assim, o vivente que atinge estas alturas, deve viver por este prisma e conhecer tudo, porque é dominante em tudo e não dominado pelo tudo aparente que nada é . Portanto em primeiro lugar a natureza e os que estão com ela , pois quem vence com a natureza, vence solidamente. Mas, o que se vê no mundo é o inverso. Todos contra a natureza, porque somente alcançam esta virtudes os Imunizados Racionalmente .

Quem vence com a natureza tem poderes para tudo, e resolve, somente, as coisas necessárias e naturais. Quem vence com a natureza sobe sempre, pois a Natureza tudo é e os que dependem dela, nada são. Os viventes no mundo desconhecem tudo isso, e portanto, vivem contra a natureza. Eis a razão dos sofrimentos do mundo, que se acabarão quando o vivente vencer com os poderes naturais, dados pela Imunização Racional. Enquanto todos viverem contra à sua natureza não hão de ter sossego, não poderão ser felizes. Sofrerão cada vez mais e durarão menos do que teriam que durar, por serem perseguidos por tudo quanto é de ruim, por enfermidades horríveis. Sempre sem sossego, preocupados, atordoados, por serem de uma natureza e não viverem com ela, por não quererem compenetrar que a principal coisa da natureza do vivente é esta.

Foi dito que todos têm espírito. E todos estão convencidos disso, quando não é verdade. Existe o espírito sim : corpos em experiências aí no espaço. E enquanto renegarem esse dever da natureza que todos têm, o sofrimento aumentará entre todos aqueles que estão fora dos seus lugares. Porque não estão completos e sim incompletos . Para serem completos têm que aceitar o que a natureza quer e se não aceitarem, o sofrimento dobrará cada vez mais. No mundo todos sofrem porque a maioria está contra a natureza. E assim sendo, contra sim mesmos. Trabalhando contra si, desfavorecidos de tudo que é bom e cada vez sofrendo mais. Ao passo que, o vivente completando e vivendo com a natureza , trabalhando em favor de sua própria natureza, vai sempre de bem para melhor. Todos são espíritas, todos vivem de experiências e na metade do saber. E, para completarem todo saber necessário ao seu equilíbrio , têm que concluir o que falta da própria natureza dos viventes.(...)



O saber do mundo ainda é muito atrasado, e por isso são sofredores, porque ainda não estão nos verdadeiros lugares e sim, fora dos seu natural, sofrendo no mundo todos desse jeito. Todos vivem trabalhando contra a natureza de si mesmos, e, uma vez trabalhando contra a sua própria natureza , têm que sofrer sempre, por mais que procurem melhorar, pioram . E por isso, dizem que o mundo é uma ilusão. Quanto mais se esforçam para melhorar, mais pioram; quanto mais se esforçam para endireitar, mais erram; quanto mais se esforçam para encontrar a felicidade, mais ela se distancia, ficando assim sem compreenderem, dizendo que o melhor seria não viver. Viver só para sofrer e depois de sofrer morrer, não vale a pena! Tudo isso por o ser humano não conhecer verdadeiramente, a sua natureza.

Livro: Universo em Desencanto
Volume: Amarelo
Páginas: 138 a 140

Gostou?

Clique aqui para baixar a versão GRATUITA do livro Universo em Desencanto.

E aqui para pedir a versão impressa.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Lidar com as diferenças e adaptar-se ao novo sem perder a essência positiva


Essa mensagem eu postei originalmente na comunidade do Padre Fábio de Melo no Orkut e fiz algumas adaptações.

Apesar de não seguir a uma religião específica, me considero católica, no sentido "Universal". Por isso, onde encontro palavras de sabedoria, sensibilidade e sensatez, corro meus olhos e minha mente, alimentando-me como um beija-flor do néctar do conhecimento fértil e produtivo do meu semelhante, tenha ele a roupagem, fé, religião, filosofia que tiver.É com essa matéria-prima que vou elaborando o meu próprio mel, a fim de que ele seja útil ao meu próximo também. Tenho amigos da Umbanda, Seicho No Ie, Ateus, etc... e com eles aprendo tanto, tanto. E, apesar de não conhecê-lo pessoalmente, sou fã das mensagens e da forma como o Padre Fábio cultiva o Cristianismo. E na época em que escrevi esse texto, ele expressava a minha opinião sobre um tópico da comunidade em que o Padre se defendia das críticas de um fiel mais inflexível que questionava a sua "modernidade". Mas como esse é um tema universal (lidar com as diferenças) resolvi postá-lo também aqui no Painel Racional. Espero que gostem =)


Esse texto é sobre como cada um lida com algo fundamental para a nossa convivência em grupo. Lidar com as diferenças e adaptar-se ao novo sem perder a essência positiva . A intolerância é mãe de quantas guerras, não? E não estou falando apenas de guerras religiosas. São brigas, discussões, mágoas geradas porque "eu penso assim, minha mãe tem outra opinião... Meu pai não me entende... meu marido é radical demais... e por aí vai ....

Por que será que é tão difícil tolerar uma opinião divergente? Será que é porque temos medo de que "nos roubem de nós mesmos" ? O roubo existe sim, mas ele ocorre com mais frequência onde as brechas de segurança são mais expostas. E aí é que vem o nosso engano. A gente acaba achando que sendo arredio e agressivo consegue ter as rédeas sob controle, demarcar território. E aí a guerra está armada! São milhares de trincheiras invisíveis montadas ao redor de cada um. Aí nós acabamos falando e falando de "amor", "fé", "fraternidade" ... Mas acabam por se tornar apenas palavras vazias, auto-sugestivas, uma longa ladainha que não consegue adentrar nas barreiras de cada um. E qual o antídoto para isso? O autoconhecimento. “Conheceis a verdade e a verdade vos libertará” . E como a gente pode querer conhecer a verdade se não conhecemos nem quem está mais próximo: nós mesmos?

Quando você sabe reconhecer as próprias emoções e os próprios sentimentos, saber realmente o que você quer da sua vida, você consegue raciocinar e alcançar a própria individualidade, o EU verdadeiro. A partir daí, o compartilhar deixa de ser um monstro de sete cabeças e passa a ser um alimento para a alma. Usando uma metáfora, seria como numa banda de música: os instrumentos são diferentes. Cada um tem a sua própria melodia e timbre. Mas quando cada músico executa corretamente a sua partitura, mesmo que as melodias sejam diferentes, a música sai bela, divina, vibrando harmonia. Na vida também podermos ser assim.
O mundo está mudando, aliás, ele sempre mudou.

Jesus foi a novidade do seu tempo, com a sua nova maneira de agir, chocou fariseus, romanos, as pessoas ao seu redor e por isso foi crucificado. Mas a mensagem ficou. A Natureza nos dá prova dia e noite que a renovação é parte da vida. De que me adianta fazer barricadas contra a globalização, reclamar do vazio da TV ? Prefiro usar as ferramentas de comunicação do meu tempo para compartilhar alimentos para a minha alma. Se o palco virou altar? Como anteriormente uma colega disse... Pois eu digo: até que enfim! É o Sagrado que cura o profano, e não o contrário. Ou por acaso alguém aqui confiaria a sua vida a um médico que o trata a distância, sem vê-lo ou tocá-lo, com nojo das suas feridas?

O meu encontro com a Luz Divina (Deus, Alá, Jeová, Krishna, Adonai, tenha o nome que tiver... ) é a razão do meu viver. E a construção dessa trajetória não está apenas na missa do domingo ou num gesto de caridade. Ela está no meu dia a dia, na minha transformação íntima, no aprendizado constante, tão constante como o ar que eu respiro e o sol que me alimenta.

O ecumenismo é o berço para sermos irmãos realmente. Universais. Afinal, a dor que uma mãe muçulmana tem ao perder um filho num confontro da guerra é diferente da dor de uma mãe cristã que perdeu seu filho no 11 de setembro ? O sol que brilha para um indu é menos vivo e iluminado que o sol que brilha para um judeu ?

Reflitam sobre isso, e considerem que o ecumenismo não se restringe apenas ao aspecto religioso, mas às atitudes mais simples e rotineiras do nosso dia a dia, como apenas ouvir o próximo.Muitas vezes a caridade pode ser mais fácil do que a gente imagina.

Boa noite e fiquem com Deus !

Racionalmente,

Juliana

domingo, 4 de outubro de 2009

04 Outubro - Dia da Cultura Racional



Olá queridos leitores, boa noite !

Dando notícias apenas agora, mas não poderia deixar de homenagear o 04 de Outubro: Dia da Cultura Racional e de São Francisco de Assis. Coincidência ? Nem tanto. A Cultura Racional nasceu na Tenda Espírita Francisco de Assis no dia 04 de Outubro de 1935.

Exemplo de humildade, devoção e despreendimento, as mensagens de São Francisco ecoaram ao mundo e muito além, trazendo a sabedoria divina até os nossos dias. Engraçado... lembro-me que ainda criança (seis, sete anos de idade...) ficava fascinada quando assistia ao filme Irmão Sol, Irmã Lua, do diretor Franco Zefirelli. Recordo-me que fiquei acordada até de madrugada para terminar de assistir ao filme que tinha passado no Corujão da Globo. Nem sabia que era a história de um santo ( acho que nem sabia o que era um "santo" rsrs...) mas a história me tocou profundamente, ao ponto de terminar o filme e eu estar chorando.

Não se se todos já leram o post do Tim Maia Racional onde conto a minha história com a Cultura Racional, mas relato que nasci numa família católica, participei da Igreja até a minha primeira comunhão, mas a minha ansiedade por respostas, paz interior e adequação real, prática aos ensinamentos de Cristo me fez trilhar outros caminhos até chegar à Cultura Racional. Não me arrependo. Mas qual não foi a minha surpresa ao descobrir que São Francisco de Assis é tido como uma referência dentro da história do livro Universo em Desencanto, sendo considerado até mesmo como um "patrono" do movimento ?

Quando eu estava terminando a minha primeira leitura da coleção completa dos livros Universo em Desencanto, surpreendi-me com um volume que afirmava:

"Quem és tu, que a ilusão é tanta, incapaz de definir o seu eu? " - Essas foram as primeiras palavras do Racional Superior na Terra.

Nesse livro, ele afirma que o Racional Superior assim se identificou para não chocar as pessoas da época e que o livro (disposto em 3 volumes) foi escrito em português, latim e hebraico, mas que por ser de difícil acesso, foram reescritos numa linguagem simples e única, característica dos livros Universo em Desencanto.

Tendo sido considerado por alguns até mesmo como semi-analfabeto por seu livro Universo em Desencanto possuir erros de concordância e verborragia, Manoel Jacintho Coelho redigiu os três volumes das Obras Primas de Francisco de Assis num português formal impecável, latim e hebraico. Cheio de poesia e sabedoria é uma obra fascinante e rara (extremamente rara até mesmo entre os estudantes da Cultura Racional). Eu tenho a xérox do 1º volume e, para homenagear esse grande dia, compartilho alguns trechos aqui com vocês, prezados leitores do Painel Racional.

Fiquem com Deus, que a Mãe Natureza nos ilumine racionalmente.

Abçs

" Quem és tu, que a ilusão é tanta, incapaz de definir o teu eu ? Sabeis vós, que sois uns corpos imprudentes no abysmo de dia para dia ambicionando tudo quanto é de material, por grande obscuridade do espirito.

Quem conhece o seu eu basta o nome para repugnar-se. Então, para que lutas toda a vida? debalde serão todos os sacrificios nestas condições. Emquanto arder a chaga das trevas, o raciocinio encontra difficuldade para libertar-se durante este livre arbitrio que dá expansão a todas as vontades pela facilidade e liberdade que Deus vos dá, perdura a confusão; extraviae-vos do direito e adquir todos os defeitos trucidantes, capz por vossas mãos proprias, succumbirem antes do dia.

Já é tempo de relembrar-vôs que os vossos dias são contados. E não mudas de pensar ? Ora, és um criminoso sem perdão; abre os olhos filho, enquanto é tempo, senão as amarguras das amarguras será a tua companheira por longos tempos perdidos, que poderias aproveitar."

Livro Universo em Desencanto - Obras Primas de Francisco de Assis - 1º volume - pág. 5

------------------------------

" O conhecimento do espirito, é o conhecimento de si proprio; o espirito é tudo, que pela vossa rudez não é nada. Encontras duvidas em tudo, não sabendo dar definição de nada. O nada é tudo, e tudo nada vale; fraqueza de mortiferas crenças, que o nada tudo vale. Mundo grande comprido, que todos tem seus dias bellos, se enchem pela expansão da natureza, querem ser melhor do que ella, quando vós, tudo deveis e quando d´ella é que vós viveis.
Porque não amaes a natureza? Porque o alcance é pouco, para definir o que ella é. Se vós a amasse, amarieis a vós mesmo."


Livro Universo em Desencanto - Obras Primas de Francisco de Assis - 1º volume - págs. 10/11

------------------------------


" O navegante de Deus, precisa conhecimentos ter, para conhecer o seu eu, e grandezas obter; "

Livro Universo em Desencanto - Obras Primas de Francisco de Assis - 1º volume - pág. 23

------------------------------

" A confusão do seu eu, impera a destruição de si proprio."

Livro Universo em Desencanto - Obras Primas de Francisco de Assis - 1º volume - pág. 32

------------------------------


(Eu adoro essa aqui. Reflitam na profundidade dessas palavras!) :

" Não há religião! Não preciso chegar a termos desta ordem, porque isto só vos chega. Religião, desturbam de si; professam em vão, não ha religiao. Então, filho, sois Pae - o vosso filho - por ser bom filho, prestar obediencia, - o que elle está fazendo é um dever por reconhecer que tem um Pae. Elle é religioso por proceder assim? Não. Não faz mais do que a sua obrigação, respeitar a seu pae, que vos dá tudo com grande attenção. Então, como dizes que isto seja religião? Então, como dizes dizes que isto é seita? Então, o dizes que isto é doutrina? (...) Portanto, filhos, vós não podeis erguer, alcançar a luz nestas condições.

Não ha religião! O filho por ser obediente ao Pae, não é religioso, está cumprindo um dever de filho para Pae. Attendel-o para ser beneficiado em tudo que merecer."

Livro Universo em Desencanto - Obras Primas de Francisco de Assis - 1º volume - pág. 36

------------------------------

P.S: Eu transcrevi o texto como está no original. Por isso há algumas palavras com ortografia diferente, pois é a ortografia de 1935.

Oração de São Francisco de Assis - Salve o 04 de Outubro!











Senhor, fazei-me instrumento de vossa paz.


Onde houver ódio, que eu leve o amor,


Onde houver ofensa , que eu leve o perdão,


Onde houver discórdia, que eu leve a união,


Onde houver dúvida, que eu leve a fé,


Onde houver erro, que eu leve a verdade,


Onde houver desespero, que eu leve

a esperança,


Onde houver tristeza, que eu leve a alegria,


Onde houver trevas, que eu leve a luz.



Ó Mestre, fazei que eu procure mais


consolar que ser consolado;


compreender que ser compreendido,


amar, que ser amado.


Pois é dando que se recebe


é perdoando que se é perdoado


e é RACIOCINANDO se nasce

para a vida eterna...




Gostou?

Clique aqui para baixar a versão GRATUITA do livro Universo em Desencanto.

E aqui para pedir a versão impressa.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

A passagem da crença para a experiência de Deus

Texto belíssimo do Prof. Huberto Rohden.

O mais interessante é que a meditação mais eficaz, que mais me aproximou e aproxima até hoje desse conceito de "Silêncio" falado no texto foi com os livros Universo em Desencanto. Não tem nem porque dizer sou tão fã da Cultura Racional, né ?

Abraços queridos leitores e boa leitura =)


"Neste milênio em que estamos atravessando, uma grande parte da humanidade, não a parte da humanidade massa, mas, uma pequenina humanidade elite, está entrando numa nova dimensão de consciência. Está ultrapassando a crença, sem cair na descrença. Há uma grande elite que não está dispensando a crença para cair na descrença, o que seria uma involução, um regresso. Está ultrapassando a crença para descobrir uma nova dimensão do espírito, a qual eu chamo a experiência pessoal de Deus. Não a crença num deus do passado, num deus à distância, para além da via Láctea e das galáxias do universo, o que seria a crença, que é necessário para a humanidade dos principiantes, pois é melhor a crença do que a descrença. Mas quando a humanidade chega a certa altura da sua maturidade espiritual, a humanidade está ultrapassando a crença de um deus longínquo, de um deus do futuro ou do passado e está entrando da experiência de um Deus presente, de um Deus aqui e um Deus agora. Essa é a grande humanidade que está acontecendo nos últimos.

Há uma elite cada vez maior na humanidade, dentro e fora do cristianismo, pessoas que já entram na experiência direta e imediata de Deus, que estão começando a realizar a consciência de Deus aqui e agora e que vão continuar por toda a eternidade.

Naturalmente nesta experiência de Deus, ao invés de uma crença de Deus, supõe que se tem uma idéia mais exata de Deus do que o grosso da humanidade. O grosso da humanidade só conhece o deus do passado e o deus do futuro; só conhece o deus ausente, não conhece nada do Deus presente. Mas, se é verdade que Deus esta Onipresente e a Sua Presença não está localizada em algum espaço de tempo, se Deus está Onipresente, presente aqui e acolá, igualmente Presente em toda parte, então Deus é espírito Universal e não pode ser uma pessoa individual, pois uma pessoa não pode estar onipresente. Mas o Espírito pode estar Onipresente; pode estar no mineral, no vegetal e no homem, pode estar em qualquer tempo e espaço do Universo.

Quando se tem a consciência dessa Onipresença de Deus, pode-se então, chegar a uma experiência direta de Deus. Por que se Deus está presente em mim, porque é que eu não poderia ter uma experiência direta, real e verdadeira deste Deus presente em mim?

Muitas pessoas falam de Deus; Deus é a palavra mais usada e mais abusada que existe na humanidade. Todo mundo fala de Deus, prós ou contras. Também os ateus falam de Deus: eles têm uma absoluta certeza de que Deus não existe, mas falam sempre em Deus para rejeitar. Os crentes falam de Deus para aceitar. Muitos falam de Deus, mas isso não resolve nada. Falar de Deus seja pró, ou seja, contra, não resolve os problemas da humanidade. Outros até falam com Deus, o que eles chamam rezar, orar. Isto já é um pouco melhor do que falar de Deus, pois é um prelúdio, mas não é uma solução definitiva. Nem falar de Deus e nem falar com Deus, resolve o problema central da humanidade.

Vejamos uma terceira atitude que não é nem falar de Deus e nem falar com Deus: permitir que Deus nos fale. Essa é uma grande coisa que apenas alguns descobriram... Permitir que Deus nos fale! Esses são os grandes iniciados, que são poucos por enquanto, mas que existiram em todos os tempos. Moisés, Elias, Jesus, Francisco de Assis, Buda, Mahatma Gandhi, todos mantinham momentos de silêncio para permitir o ambiente interno necessário para que Deus pudesse lhes falar. Todos estes grandes místicos que descobriram que a solução de todos os problemas da vida consiste em permitir que Deus nos fale. Mas esta é uma arte muito difícil! Não há 1% da humanidade, nem da cristandade, que consiga aprender sofrivelmente esta arte de se calar, porque para que Deus me possa falar, eu me devo calar. Enquanto eu falo, Deus se cala. Só se eu me calar, então Deus tem a oportunidade para me falar. Mas é muito difícil a gente se calar! Você pensa que é fácil? Você está calado agora, o que não adianta nada! Este ficar calado materialmente não resolve nem um pouco, pois calar fisicamente é muito fácil. A gente vai para um deserto, uma floresta, uma caverna ou se isola entre quatro paredes e estamos fisicamente em silêncio. Não resolve nada o silêncio físico, porque nós carregamos conosco nosso ruído mental: nossos pensamentos! Você pode desfazer-se dos seus pensamentos durante cinco minutos, meia hora, uma hora... Ou durante vários dias, como fizeram vários destes místicos citados no texto acima? Você é capaz de ficar mentalmente silencioso durante um determinado período de tempo? Isto é muito difícil para o grosso da humanidade porque somos bombardeados constantemente pelos nossos próprios pensamentos. A grande maioria não consegue se esvaziar de seus próprios pensamentos nem por cinco minutos.

Este é o ruído mental que impede que Deus nos fale. Deus não fala enquanto eu não me calar mentalmente! Mesmo que eu cale fisicamente, não resolve! É preciso entrar num silêncio mental. Alguns conseguem evitar o barulho mental, que se chama pensamentos, mas não conseguem se livrar de um outro ruído que se chama ruído emocional: os nossos queridos desejos, as nossas afetividades de todas as espécies! Sempre desejamos alguma coisa e enquanto nós desejamos, queremos alguma coisa, não estamos em nosso vazio e Deus não tem licença para nos visitar. Deus não pode nos falar enquanto nós não nos calarmos mentalmente e emocionalmente durante certo período de nossa vida e isso é muito difícil para o grosso da humanidade.

Mahatma Gandhi, o grande libertador místico da Índia e dos nossos tempos, dizia aos seus amigos:

"Reduzi a nada os vossos sentimentos. Reduzi a nada, os vossos pensamentos. Reduzi a nada, os vossos desejos".

E depois de ouvir isto, os amigos de Mahatma Gandhi lhe diziam:

Depois desses três nadas, o que é que sobra de mim? Se eu reduzir a nada o meu ego físico-mental e emocional, o que é que sobra de mim?

E Mahatma Gandhi, sorrindo lhes respondia:

Sobra Deus e chega!

Mas os discípulos de Mahatma Gandhi não podiam compreender isto tão depressa. Aparentemente não sobra nada, porque quando nós não sentimos, pensamos e não queremos nada, parece que não existimos mais - não temos mais consciência de nós. Porque nós vivemos na estranha ilusão de que quando não se pensa nada, então a gente não tem consciência. Muitos quando não pensam e não querem nada, adormecem, caem no transe ou na auto-hipnóse. Isso não resolve nada. Isto não tem o poder de resolver nenhum dos problemas da nossa vida espiritual.

Mas alguns já descobriram que podemos nos esvaziar de qualquer pensamento, desejo e apesar disso, ficar plenamente consciente em espírito e verdade. É preciso ficar 100% consciente e 0% pensante. Quando se afirma isso, muitos que estão adentrando no mundo da prática meditativa, afirmam que o que está sendo pedido é demais, que se está pedindo por "um círculo-quadrado". Muitos principiantes pensam que quando não pensamos nada, não estamos conscientes, mas, com o decorrer da prática, descobrem que se pode ficar sem pensar e desejar nada e ficar plenamente consciente do espírito e da verdade. No entanto, esta descoberta não vem logo no princípio: ela vem aos poucos! E quando descobrimos que podemos ficar 100% consciente no nosso Eu-espiritual, sem nenhum processo de pensamento e de emoção em nosso Ego-mental-emocional, então ocorre a grande experiência do despertar espiritual, a grande libertação, a verdadeira iniciação.

Então, estes iniciandos e iniciados, tem a experiência da presença de Deus. Então, sabem por experiência própria, que crer em Deus é muito bom, mas que ter certeza de Deus, não é apenas crer em Deus. Por que eu posso crer em Deus hoje, e descrer amanhã. Eu posso fazer ida e volta; muitos fazem isso: hoje são crentes, amanhã são descrentes. Da crença, passam para a descrença, do teísmo, passam para o ateísmo. Isto acontece a todos os humanos, quando ainda se encontram no período da crença, onde pode existir a ida-e-volta da crença. Mas, quando se tem a experiência direta de Deus, não há mais ida-e-volta... só há ida! Ninguém pode ter a experiência de Deus hoje e perdê-la amanhã. Isso é absolutamente impossível! A Experiência dá a certeza absoluta de Deus. A crença nos enche de dúvidas. Por isso se faz necessário transpor os limites da crença para a experiência.

A experiência dá a certeza de que Deus é uma Realidade, de que a vida após morte é uma realidade, que a minha alma é uma realidade. Porque se eu tenho a experiência de alguma coisa eu nunca mais posso ignorar amanhã, o que eu sei hoje! Isso é tão certo como 2X2 são 4. A experiência dá a certeza absoluta e eterna em todas as condições.

Por isso, é de absoluta necessidade que todo homem que queira ter paz, tranqüilidade, firmeza e felicidade em sua vida interior, deve, cedo ou tarde, passar da crença para a experiência. Esta é a única coisa necessária: ter a certeza pela experiência direta de Deus. De maneira que, se isso é tão importante para a nossa tranqüilidade interior, segurança, firmeza e felicidade, mesmo em meio de sofrimentos, não valeria a pena, tratarmos seriamente de adquirir experiência e certeza absoluta de Deus, não por uma crença vaga e longínqua, mas por uma experiência direta e imediata? Mas como é que se faz isso?

Hoje, todo mundo fala em meditação. Nunca se fez tanta meditação como hoje em dia. Em outros tempos, meditação era só para os Indianos, para os jovens do Oriente, para Frades e Freiras dos conventos, mas para o homem da indústria, do comércio, da ciência, da universidade, dos laboratórios... Eles faziam outras coisas. Hoje em dia, estes mesmos homens, dedicam pelo menos meia hora do seu dia à meditação.

Meditação não é outra coisa a não ser calar-se para que Deus possa nos falar. Deus não fala pelo barulho, só fala pelo silêncio. Se alguém não consegue ficar silencioso, nunca vai saber nada de Deus; pode crer em Deus, e é bom que o faça, mas nunca vai ter nenhuma certeza de Deus, pois a certeza vem com a experiência, conseguida pela meditação em silêncio. Meditação não é pensar em alguma coisa. É esvaziar-se de todos os pensamentos e desejos próprios e ficar plenamente consciente.

Segundo Leis eternas, onde há uma vacuidade acontece uma plenitude. Se eu me esvazio dos meus desejos e dos meus pensamentos é absolutamente certo que me vai acontecer uma experiência direta de Deus, capaz de trazer a plenitude. A plenitude de Deus flui para dentro da minha vacuidade. Onde há um ego-esvaziamento, ocorre uma Téo-plenificação. O problema não e a plenificação, pois esta sempre vai acontecer, o nosso problema está no ego-esvaziamento: Como é que eu vou me esvaziar dos meus conceitos, crença e condicionamentos da minha egoidade humana, dos meus pensamentos, dos meus desejos, para que a Graça de Deus possa me plenificar com a sua riqueza? Este é o nosso grande problema!

Se queremos obter a certeza através da experiência, temos que prestar atenção onde estão acertando os religiosos. Estudar a vida daqueles que o conseguiram. As grandes experiências meditativas nos vem do Oriente. Existe hoje em dia, uma pequena elite que está descobrindo cada vez mais a alma da mensagem destes grandes homens, destas grandes "setas orientadoras". "Conhecereis a Verdade", disse um dos maiores mestres, "e a Verdade vos libertará!" A libertação pela Verdade, pelo Conhecimento e pela vivência da Verdade. O conhecimento da Verdade se chama mística e a vivência da Verdade se chama ética. Toda lei da vida prática e toda a experiência de todos os grandes experientes da inspiração mística resumem-se na expressão: "Amarás a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo!". Esta é a maior mensagem espiritual dita nestes últimos dois mil anos. Esta experiência traça uma linha vertical e uma linha horizontal; a linha vertical da mística e a linha horizontal da ética. A linha vertical: o amor entre o homem e Deus. A linha horizontal: o amor entre o homem e todas as criaturas humanas. A consciência da paternidade/maternidade única de Deus, transbordando na vivência da fraternidade universal dos homens. Esta foi a maior mensagem já proclamada neste planeta Terra nestes dois mil anos. Amor para cima e amor para todos os lados... Mística e ética.

Estamos diante de uma nova humanidade. Uma pequenina elite está entrando cada vez mais na experiência de Deus. Mas esta elite é qualidade e não quantidade. A qualidade sempre será mais importante que toda quantidade. Para fazer parte da elite espiritual, é absolutamente necessário a cada dia, somente 2% do seu tempo, o que representa meia hora do seu tempo diário, para se encontrar conscientemente com Deus. Quem se dedicar a esta prática diária terá mudanças em toda as áreas de sua vida: espiritual, mental, emocional, social, afetiva e doméstica... Tudo vai melhor! Mas quem quer se dedicar isto? Hoje, para muitos de nós, às 24 horas do dia são divididas da seguinte maneira: 8 para o trabalho obrigatório, 8 horas para o sono e 8 horas para os divertimentos. Se continuarmos com este programa horário, continuaremos a ser "eternos analfabetos espirituais": nunca saberemos nada, nem de nós e muito menos de Deus. Não seria bom mudar um pouco este programa horário para que a vida se torne mais qualitativa em sua horizontalidade? Será que não vale a pena se ausentar por meia hora de todas as coisas do nosso ego humano, físico, mental e emocional e se concentrar totalmente no Eu espiritual, de forma constante, na melhor meia hora do dia? Qual é a melhor meia hora do seu dia? Estabelecer um grande e verdadeiro silêncio interno, uma vacuidade, um ego-esvaziamento... para experimentar uma Cosmo-plenitude... a transformação da vida pela ação da Graça!

Esta é a experiência de todos os grandes místicos, de todos os grandes homens realmente felizes que tem vivido na face deste planeta. Eles fizeram justamente isto e verificaram que deu certo. Então, porque continuamos a ser eternos analfabetos desta arte sublime do nosso contato consciente com Deus? Entramos neste mundo no marco zero.

Quando entramos neste mundo pelo nascimento, não tínhamos nada. Nossos pais nos deram o primeiro impulso para o nosso corpo, e depois que nascemos, tivemos que completar nosso corpo nos alimentando. Tiramos da natureza as energias necessárias para completar o nosso corpo. Nosso corpo é um produto dos nossos pais e da natureza e será devolvido daqui a pouco à natureza. Nosso corpo foi emprestado e o que foi emprestado pela natureza, deve ser devolvido. E depois? Se entramos no marco zero durante nosso nascimento e se vamos sair novamente no marco zero quando da hora de nossa morte, para que viver tantos anos? Para passar de um zero para outro zero? Não podemos levar nada do exterior juntamente conosco. O grosso da humanidade passa toda a sua existência somente nos "teres da vida", vivendo em vão. Sobre o grosso desta humanidade, devia-se colocar uma lápide sepultural depois da morte e escrever na mesma o seguinte:

"Aqui jaz os restos mortais de fulano, que viveu durante tantos anos sem saber o porque!"

Que coisa triste! Declaração de falência total! Não seria bom sairmos deste patético modo de vida? Será que posso levar comigo alguma coisa? POSSO!... não daquilo que eu tenho, mas sim, daquilo que eu sou! Não daquilo que eu recebi de fora, mas sim daquilo que eu mesmo fiz de dentro de mim. Valores espirituais eu posso levar comigo, objetos não posso levar! Dizia Einstein: "Do mundo dos objetos, não há nenhum caminho que conduza ao mundo dos valores, por que os valores vem de outra região!". Os objetos vêm de fora, os valores vem de dentro. Logo, devíamos pensar seriamente em criar valores. Valores são coisas criadas pela nossa consciência. Não são fabricados pela nossa inteligência que só pode produzir objetos, fatos da natureza. Só podemos levar conosco valores da nossa consciência. Mas o que é isso? Valor não é um fato, não é um objeto, não tem peso, não tem cor, não tem tamanho... Ninguém pode dizer quantos peso tem um valor, quantos metros tem um valor... Valor é uma criação da nossa consciência: Verdade, Justiça, Honestidade, Sinceridade, Amizade... Isto são valores! Somos criadores de valores e descobridores de fatos! Mas os fatos estão entre o 0 do nascimento e o outro 0 da morte e nenhum fato pode nos acompanhar! Nada pode nos acompanhar a não ser os valores. Por isso dizia um grande mestre: "Uma só coisa é necessária!"

Einstein, em um dos seus livros dizia:

"Por que é que todas as Igrejas prometem o céu aos bons e não aos inteligentes?"

E depois ele responde:

"As Igrejas tem razão... os inteligentes descobrem os fatos da natureza que já existiam antes deles, mas os bons, criam os valores da sua consciência que não existiam antes deles e que eles criaram. Por isso é muito mais importante criar valores que descobrir fatos".

Até parece um místico falando e não um matemático, se bem que o matemático também é um místico ao seu modo, porque a mística não é outra coisa do que a consciência da realidade e a matemática também o é.

O homem bom é um criador de valores dentro de si. Um homem inteligente é apenas um descobridor de fatos fora de si. O que está fora de nós, não podemos levar conosco, o que está dentro de nós, podemos levar conosco. Valores são eternos, fatos são coisas temporárias. Ninguém pode criar valores dentro de si, eternos e indestrutíveis se não tiver experiência da realidade espiritual. Esta Realidade se chama de Deus, que está fora de nós, e de alma que está dentro de nós e que é a mesma coisa. Um Deus transcendente se chama "a divindade" e um Deus imanente se chama Deus em nós, a nossa alma. E nós, levamos conosco somente o nosso Deus imanente, a nossa alma. Por isso dizia o maior dos iniciados: "Que proveito há para o homem em ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?" Uma sabedoria lógica e matematicamente certa!

A nova humanidade é a humanidade da experiência. Mas a experiência é absolutamente impossível no nosso programa diário se nós não modificarmos profundamente nosso programa de cada dia, nossas 24 horas, nós nunca vamos ultrapassar a crença infantil para adentrar na experiência da adultes espiritual. Não é possível por que a crença vem de fora, vem da aceitação de testemunhos alheios, mas a experiência vem de dentro, é a aceitação da nossa própria certeza interior, que nos dá absoluta firmeza, tranqüilidade e felicidade indestrutível. Mas esta experiência do mundo espiritual não é possível dentro do programa da nossa vida diária que muitos estão levando até agora! Se não tomarmos a sério a modificação do nosso programa diário, nunca poderemos chegar a experiência do despertar espiritual.

Todo mundo hoje em dia quer começar a meditar, mas os livros complicam tanto a meditação, que as pessoas ficam com medo da meditação. Quase todos os livros que conheço sobre a meditação desanimam o leitor desde o principio porque exigem "técnicas meditativas..." técnica A, técnica B, técnica C... e assim por diante. Não há nenhuma técnica! Se existe uma técnica é o silêncio e não é nenhuma técnica: é simplesmente se esvaziar de todos os conteúdos humanos e ficar à disposição do Infinito... uma disponibilidade espiritual em face ao Infinito, nada mais é necessário. Fazer de si uma completa vacuidade...

Isso exige algum exercício porque os nossos pensamentos são tirânicos! No geral, não pensamos aquilo que queremos. Somos bombardeados pelos nossos pensamentos! O nosso cérebro é uma praça pública por onde passam milhões de homens, mulheres e automóveis buzinando por todo lado! O nosso cérebro é uma praça pública invadido por todos os pensamentos sem a nossa licença! Os pensamentos entram e saem como todos os vagabundos entram e saem pela praça pública. E nós permitimos a passagem dos pensamentos pelo nosso cérebro. Desse modo, é impossível ter a experiência direta de Deus. É preciso transformar a praça pública do nosso cérebro num santuário silencioso de Deus! Você pensa que é fácil? Isto é um grande problema, mas é possível!

Os nossos pensamentos não nos obedecem. Não somos capazes de inicio, de ficar um só minuto sem pensar em nada. Nossos pensamentos são tirânicos e nós amamos os nossos queridos tiranos chamados pensamentos. Os pensamentos nos maltratam e nos tiranizam de todos os modos e mesmo assim, gostamos deles. Pior ainda as nossas emoções, as nossas afetividades. Somos tiranizados pelas nossas emoções. Nós não temos controle sobre nossas emoções, somos eternos adictos de nossas emoções.

Quando é que vamos nos libertar, proclamar a nossa independência mental e emocional? Quando é que vamos proclamar o nosso "treze de maio emocional"? Nós não somos donos dos nossos pensamentos, somos escravos dos mesmos! A grande mudança é poder ter os pensamentos que queremos ter e não os que devo. É não obedecer aos pensamentos, mas dar ordem aos mesmos. É não obedecer as minhas emoções, mas dar ordens às mesmas. É dizer aos pensamentos e as emoções: "vocês podem entrar na minha cabeça mas eu não vou dar vida à vocês!".

Enquanto não formos capazes de discriminar entre pensamentos e emoções, positivos e negativos, seremos eternos joguetes dos mesmos. O grande problema está em transformar escravidão em liberdade. A impotência em domínio. Por que sem isto não é possível fazer meditação. Primeiro temos que ser donos dos nossos pensamentos, sentimentos e emoções. Declarar nossa independência. Quem não declara independência sucumbe à tirania dos seus pensamentos. Portanto, temos que fazer isto! E com o exercício permanente conseguimos chegar a isto. No princípio, ninguém consegue ficar um minuto sem ser bombardeado pelos seus pensamentos e emoções. Depois de muito exercício, conseguimos um minuto. A alma passa a mandar porque existe alguém dentro de nós que É maior do que todos os nossos pensamentos: a nossa consciência espiritual, que também pode ser chamada de Eu, Cristo, Buda, Alma... tudo isto é a mesma coisa!

Mas, poucos conseguem entregar às rédeas do seu governo à sua consciência espiritual. Depois de muito exercício fracassado, conseguem colocar disciplina, ordem e obediência em seus pensamentos, sentimentos e emoções. E pouco a pouco, se torna fácil pensar no que queremos e no que não queremos; mandar embora os pensamentos e ficar só com a consciência... A consciência sozinha, sem os pensamentos! E quando os pensamentos obedecem à consciência, a mesma pode dar licença para os pensamentos entrar. Se ele é bom, pode entrar, se não é bom, pode ir embora! Pouco a pouco, nossos pensamentos e emoções se tornam obedientes servidores de confiança de nossa majestade divina: a nossa consciência. E então nós podemos passar a aceitar os nossos pensamentos e emoções que queremos, porque eles são crianças obedientes e dóceis de nossa consciência.

Então, passamos a nos sentir soberanos e felizes por não sermos mais escravizados por nossos pensamentos e emoções. Passamos a ser donos de nossos pensamentos e emoções, isso depois de muito tempo! E não precisamos mais viver em solidão...por que no principio temos a necessidade de nos retirarmos para locais de solidão para a pratica da meditação (que é uma meditação), ou à solidão de um retiro espiritual. Isso se faz necessário para os principiantes: a solidão e o silêncio. Mas, para as pessoas que já ultrapassaram o ABC, isto pode ser feito no meio da sociedade, no meio do escritório, da escola, da casa, transporte, da praça publica, das ruas, a gente pode estar rodeado de barulhos, em profundo silêncio. Pode estar silencioso por dentro e ruidoso por fora. E o ruído não faz mal porque já não é mais venenoso como no principio, tornou-se um ruído sadio. Podemos permitir todos os ruídos da sociedade, sem sermos envenenados pelos ruídos porque nos acostumamos a dar ordem aos nossos pensamentos, sentimentos e emoções.

A grande libertação começa no Silêncio e termina no trabalho em meio ao barulho da sociedade. Para os principiantes é necessário fazer meditação e retiro espiritual em silêncio. Mas para os finalizantes, isto é possível no meio da sociedade, porque tudo que estamos fazendo e que hoje chamamos de autoconhecimento e de autorealização, não é outra coisa se não Libertação.

Libertação não quer dizer fuga, não quer dizer o abandono da sociedade. Libertação começa com silêncio e com solidão, mas termina no meio da sociedade. Para o princípio nós precisamos do silêncio e da solidão, para nos consolidarmos no domínio espiritual, mas quando estamos devidamente consolidados no domínio espiritual, nós podemos voltar ao meio da sociedade e a sociedade já não nos faz mal, porque não podemos mais ser derrotados pela sociedade, pois já somos senhores da sociedade, senhores dos pensamentos e senhores das emoções.

Isto é o que eu chamo da passagem da crença para a experiência de Deus, ou seja, a passagem da escravidão para a liberdade. Todos nós gostamos de liberdade; ninguém gosta de escravidão. Entretanto, poucos são os que fazem algo para se desescravizar e para se libertar."



Quem sou eu

Minha foto
Curiosa, desde pequena sempre quis saber quem sou de verdade. O fim do arco-íris no fundo de meus olhos... E encontrei! Estou em pleno processo de emancipação, aprendendo a voar ainda que em um corpo perene. Estudante da Cultura Racional e dos livros Universo em Desencanto desde 1995. DESENVOLVENDO O RACIOCÍNIO. Em ponto de ebulição e sublimação!! Sorrir gratuitamente é puro prazer... Salve :D
Powered By Blogger